Com a aprovação do Plano Estratégico para os Resíduos Urbanos (PERSU I) constituíram-se várias empresas de tratamento e valorização de resíduos, com o objetivo de acabar com as lixeiras ao ar livre que surgiam em qualquer lugar e onde a única preocupação era afastar os resíduos das pessoas. A Amarsul foi uma destas empresas. Constituída em 1997, a Amarsul recebe, trata e valoriza os resíduos urbanos da península de Setúbal.
Responsável pelo tratamento e valorização dos resíduos urbanos de 9 municípios e mais de 800.000 pessoas, a Amarsul possui três ecoparques, sete ecocentros, mais de 4.000 ecopontos e 412 colaboradores para tratar cerca de 445.000 toneladas de resíduos urbanos anuais.
Apesar da meta nacional, até 2030, para a reciclagem de 90% a 95% dos resíduos urbanos, atualmente, apenas 10% dos resíduos urbanos são reciclados. É uma meta avassaladora que será muito difícil de cumprir se os cidadãos não ajudarem, pois neste momento a reciclagem cresce apenas 1% ao ano.
O setor dos resíduos em Portugal
As primeiras infraestruturas construídas foram os aterros, que apesar de conterem toda a poluição decorrente dos resíduos, não conseguem dar uma segunda vida aos mesmos.
Os recursos utilizados para produzir vidro, plástico e papel são finitos e a sua extração prejudica o nosso bem-estar e as gerações futuras. Hoje, o foco é dar uma segunda vida aos resíduos para que não seja necessário voltar a extrair matérias-primas e destruir a natureza.
Para conseguir cumprir com as exigências e metas definidas pelo governo para 2030, as empresas gestoras de resíduos tiveram de apresentar o seu plano estratégico até esse ano. Na região da Amarsul serão investidos 250 milhões de euros para a requalificação das infraestruturas existentes e, sobretudo, para a criação de novas unidades de produção de maiores dimensões, aquisição de camiões de recolha de resíduos, contentores e máquinas.
“Vamos ter uma nova rede de ecopontos móveis com capacidade para 30m3 e compartimentos para resíduos atípicos, como cápsulas de café e latas de tinta.”
Eng. Rui Dores
A Amarsul
Estivemos à conversa com o Eng. José Silva e o Eng. Rui Dores para abordar o tema do setor dos resíduos e de como as Básculas Ponte Pesa Camiões da Barcelbal apoiam a Amarsul no dia-a-dia.
O Eng. José Silva licenciou-se em Engenharia Civil pela Escola Superior de Tecnologia do Barreiro, em 2013. Contudo, quando terminou a sua formação viu-se obrigado a emigrar para o Reino Unido, onde esteve 10 anos. Há cerca de 2 anos atrás, voltou para Portugal e começou a trabalhar na Amarsul como Responsável de Obras. Para o engenheiro, a Amarsul tem sido uma experiência agradável e um fator de aprendizagem enorme, não só nos aspetos técnicos da sua função, mas também nas medidas exigentes que existem no setor para garantir a sustentabilidade do meio ambiente e da empresa.
“Não existem dias iguais. Todos os dias temos situações caricatas e desafios para ultrapassar!”
Eng. José Silva
O Eng. Rui Dores estudou Engenharia do Ambiente na Universidade Nova em Almada. Começou a trabalhar no setor dos resíduos há cerca de 20 anos na EGF, no departamento de engenharia. Em 2018, transitou para a Valnor e Resiestrela para o Departamento Técnico, onde esteve 5 anos. E agora, em 2023, iniciou na Amarsul como Responsável Técnico.
“Estes 20 anos são aquilo que o José já se apercebeu, não há dois dias iguais.”
Eng. Rui Dores
As Básculas Ponte Pesa Camiões da Barcelbal na Amarsul
O processo tratamento e valorização de resíduos inicia-se na recolha dos resíduos urbanos. Em Setúbal, os municípios são responsáveis pela recolha dos resíduos orgânicos e a Amarsul pela recolha dos ecopontos. Após a recolha, os camiões dirigem-se para os respetivos ecoparques onde são pesados à chegada nas Básculas Ponte Pesa Camiões da Barcelbal.
Neste momento, a Amarsul possui 5 Básculas Ponte Pesa Camiões da Barcelbal, duas no Ecoparque de Palmela e uma no Ecoparque do Seixal, no Ecoparque de Setúbal e no Ecocentro de Sesimbra.
Equipamentos de pesagem no Ecoparque de Palmela
O Ecoparque de Palmela tem duas Básculas Ponte Pesa Camiões Metálicas, uma à entrada da unidade industrial para controlo do peso dos camiões de recolha de resíduos e outra dentro da unidade industrial para controlo do peso dos contentores de resíduos já segregados.
A fim de instalar a nova Báscula Ponte Pesa Camiões à entrada do ecoparque foi removida a báscula antiga que, posteriormente, foi reaproveitada para produzir duas novas Básculas Ponte Pesa Camiões.
Todas as Básculas Ponte Pesa Camiões foram desenvolvidas à medida para os espaços disponíveis no ecoparque. A Báscula Ponte Pesa Camiões instalada à entrada é de 16x3m e tem capacidade para 80t, enquanto a Báscula Ponte Pesa Camiões recuperada instalada dentro da unidade industrial é de 8x3m e tem capacidade para 40t. No caso, da Báscula Ponte Pesa Camiões recuperada foi necessário adaptar o tamanho das rampas para que fosse possível fazer a instalação no local solicitado pela Amarsul.
“Correu bastante bem, a báscula está impecável! Quando o Romeu a trouxe estava irreconhecível! Neste momento estamos a terminar os treinos com os motoristas e vamos começar a utilizá-la.”
Eng. José Silva
“Parece uma báscula nova acabada de produzir. Foi uma báscula que trabalhou 20 anos e esteve dois anos encostada nas piores condições possíveis.”
Eng. Rui Dores
Equipamentos de pesagem no Ecocentro de Sesimbra e no Ecoparque do Seixal e de Setúbal
No Ecocentro de Sesimbra e no Ecoparque do Seixal e Setúbal instalamos Básculas Ponte Pesa Camiões em Metal/Betão. Estes equipamentos de pesagem receberam tratamentos especiais para resistirem à corrosão e ao elevado tráfego de camiões.
A instalação do Ecoparque de Setúbal foi mais complicada, por duas razões. Primeiro, porque era o único equipamento de pesagem neste ecoparque e não podia estar obstruído durante muito tempo. Em segundo, porque o painel de pesagem que estava instalado no local tinha 16m de comprimento e pesava 55t.
Para remover o painel foram necessárias duas autogruas de 120t e para instalar a nova Báscula Ponte Pesa Camiões foi essencial aplicar cavaletes de ferro na fundação para apoiar o equipamento de pesagem, pois a fundação era muito alta.
“Isto durante o dia é muito intenso e surgem muitos problemas! Precisamos de trabalhar com equipas e entidades que prestem uma boa assistência. Fico muito contente por a Barcelbal ser uma empresa dessas, pois, para nós, faz toda a diferença.”
Eng. Rui Dores
“Vocês têm pessoal extremamente simpático. O Romeu é uma pessoa impecável. Quando tivemos o problema com outro fornecedor, estive ao telefone com o Romeu, inclusive por vídeo chamada, para me certificar que estava tudo bem ligado e o problema não era da báscula. A minha experiência é muito positiva, porque sempre que precisamos vocês estiveram lá.”
Eng. José Silva
O destino dos resíduos na Amarsul
Depois de pesados nas Básculas Ponte Pesa Camiões, os camiões de resíduos seguem destinos diferentes, em função dos resíduos que transportam. Os resíduos indiferenciados seguem para tratamento mecânico e os resíduos reciclados para a central de triagem.
Para prevenir que os resíduos que podem ser reciclados sigam para o aterro, a Amarsul abre os sacos de resíduos indiferenciados e tenta retirar o máximo de resíduos recicláveis. Contudo, este esforço não substitui a necessidade da reciclagem, pois este é um processo que para além de exigir infraestruturas especiais, sensores óticos, ímãs e mais recursos humanos, é moroso e pouco eficiente.
Adicionalmente, quando misturados com os resíduos orgânicos, estes resíduos podem ser contaminados, o que impede a sua reciclagem.
Os resíduos reciclados nos ecopontos são encaminhados para a central de triagem para separar os materiais de acordo com os padrões de qualidade exigidos pela indústria da reciclagem. O Ecoparque do Seixal está equipado com sensores óticos e eletroímãns que permitem a separação dos materiais do ecoponto amarelo de acordo com a sua tipologia. Os plásticos são depositados no mesmo ecoponto, mas não são reciclados juntos. As garrafas de água têm de ser separadas das garrafas de champô, pacotes de leite, plásticos mistos (sacas de batatas fritas, pacotes de bolacha, embalagens de manteiga, entre outros plásticos).
Após a separação dos materiais a Amarsul produz fardos de materiais reciclados que pertencem às entidades gestoras existentes em Portugal (Sociedade Ponto Verde, Eletrão e Novo Verde). Posteriormente, estas entidades leiloam os fardos às empresas que fazem a reciclagem dos resíduos.
A importância da reciclagem
A Amarsul financia-se de duas formas, através das tarifas cobradas aos municípios para fazer o tratamento e valorização de resíduos e através da retoma dos materiais reciclados.
Portanto, quanto mais os cidadãos reciclam, mais a Amarsul recebe pela retoma dos materiais reciclados e consequentemente menos cobra aos municípios pelo tratamento e valorização dos resíduos indiferenciados e menor é a tarifa cobrada aos cidadãos.
Embora a Amarsul separe alguns materiais recicláveis dos resíduos orgânicos, a retoma apresenta um valor seis vezes inferior ao dos materiais dos ecopontos, e acaba por não impactar o valor da tarifa cobrada aos cidadãos.
A retoma dos materiais reciclados realiza-se apenas por empresas portuguesas, à exceção do vidro em que a retoma realiza-se também por empresas espanholas.
A Amarsul aproveita os resíduos orgânicos para produzir corretivo orgânico, utilizado como substituto dos adubos químicos.
Como resultado, a retoma anual da Amarsul ronda as 48.000 toneladas, 40.000 toneladas provenientes da recolha seletiva e 8.000 toneladas provenientes da separação mecânica realizada nos resíduos indiferenciados. A Amarsul consegue aproveitar 2% dos materiais recicláveis dos resíduos indiferenciados.
“As pessoas ainda não sabem onde colocar os resíduos. Vejo algumas pessoas que ainda ficam indecisas com o cartão na mão sem saber onde colocar. Outras vezes, vejo pessoas no telemóvel que nem estão a prestar atenção onde estão a colocar os resíduos.”
Eng. José Silva
O sucesso da Amarsul, é o nosso sucesso!